Opa. voltei. desculpem a ausência. falem a verdade, vai. vocês nem notaram. como última coluna do ano, aí vão dos cosas.
ilustração: Eduardo Verderame (do livro).
Preciso contar sobre esse livro ótimo que li em uma manhã e abriu horizontes para todas e novas formas de pensar e produzir e sentir.
GRAN CABARET DEMENZIAL. O nome já é bem bacana. E dentro é mais. Além de ser uma edição linda, muito bem ilustrada, organizada e tal (é, é da Cosac), traz pequenos contos (questão de simplificação, não de definição) intrigantes que fazem rir e afligem os leitores. Fragmentação do sujeito, crises identitárias, palavras e seus significados são alguns dos temas abordados. Com muita, mas muita, muita mesmo criatividade. Verônica Stigger me ganhou demais. Vale a pena. Destaque especial para O DIÁLOGO DE TRISTEZA E ISIDORO. Putaqueopariu. Quero encenar.
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ESTA NOCHE LA ULTIMA
quanto tempo, né? é... por que, hein? por isso mesmo. o que? o tempo. sim, é muito... é... e não há mais nada que eu possa fazer? não... em nome de mais nada? de mais nada... você podia me explicar o motivo? não. não quer? não sei... é medo. sim. é medo? não.
Existe uma alegria especial na correria de dezembro. As ruas ficam mais bonitas, cheias de alegria e brilhos nos olhos. Crianças encantam as lâmpadas que alegram a noite. Nessa atmosfera, eu vou realizando pequenos sonhos como o de abraçar mais pessoas desejando bons sentimentos, pensar com carinho naqueles que amamos ao escrever um cartão ou uma pequena carta. Alguns nos emocionam de uma forma inesperada. Um telefone que toca surpreendendo a distância. Uma mensagem no celular ou e-mail nos preenche de esperanças. Sonhamos dias melhores, recheados de encontros ainda mais felizes.
Alguém me disse que essa correria cansa. Eu não concordei. Eu não me obrigo a nada. Gosto das confraternizações e de brincar de amigo secreto. Adoro presentear, escolho sentimentos e sentidos em cada passeio que faço no meu mês. Eu me emociono com os contos de Natal, com os filmes, com as histórias de família. Fico feliz com aquelas que eu escrevo com a minha.
Existe uma alegria especial na correria. Mesmo fazendo diversas coisas ao mesmo tempo eu consigo viver momentos muito especiais. Deve ser um canto de anjos ou um toque dos Céus acordando corações hoje para o presente do ano que vem.
Gosto muito da Adriana Calcanhoto. Ela é uma boa compositora e tem um canto calmo.
Filha de músico de jazz e bailarina, Adriana começou tocando na noite em Porto Alegre, sua cidade Natal.
O primeiro CD foi lançado em 1990: Enguiço. Foi um CD muito elogiadoque trouxe as músicas Naquela Estação e Mortais como destaque. Esse CD lhe rendeu o PrêmioSharp como cantora revelação.
Em 1992, lançou o CD Senhas, um dos que eu mais gosto, pois nele encontramos Esquadros e Mentiras.
Já em 1994, com o CD A fábrica do poema Adriana Calcanhoto, buscou inspiração em nada mais nada menosque: Gertrude Stein, Augusto de Campos, Antonio Cícero, Waly Salomão e Arnaldo Antunes. Este disco traz a música que eu mais gosto, na interpretação da Adriana: Inverno, que é do maravilhoso Antonio Cícero.
Na seqüência, Adriana lançou: Maritmo em 1998, Público (ao vivo) em 2000, Cantada em 2002, o Perfil Adriana Canhoto em 2003 (que vendeu 500.000 cópias) , Adriana Partimpim em 2004 e Adriana Partimpim O show em 2005.
Não queiras ser mais vivo do que és morto. As sempre-vivas morrem diariamente Pisadas por teus pés enquanto nasces. Não queiras ser mais morto do que és vivo. As mortas-vivas rompem as mortalhas Miram-se umas nas outras e retornam (Seus cabelos azuis, como arrastam o vento!) Para amassar o pão da própria carne. Ó vivo-morto que escarnecem as paredes, Queres ouvir e falas. Queres morrer e dormes. Há muito que as espadas Te atravessando lentamente lado a lado Partiram tua voz. Sorris. Queres morrer e morres.
... e quando a gente para pra pensar na vida, encontrar um sentido pra tudo isso, é inevitável a sensação de ficção, de ilusão. A física quântica tampouco explica tudo, não é mesmo? Há o risco de que algumas pessoas troquem o que a Igreja chamava de dogma pela física quântica, mas e se? Na semana passada, se não me falha a memória, Millôr provou que o Sol gira em torno da Terra. Será? Não há segredos, só mistérios, e o que vale é a dúvida. Se ele duvidou de Galileu, quem sou eu? Quem somos nós? Não basta pensar, nem dá pra explicar. Quando o padre diz “eis o mistério da fé”... sem querer ele está entregando a solução do enigma. Você acredita ou não acredita. Ponto. Tudo isso por causa da angústia de um amigo que teve a sensação de ser finito. “Parei pra pensar naquilo de não existir. E quando eu não estiver mais aqui? Deixar de existir!” E citou Pessoa. "Te queres matar?" {o que será que eu faço com essas aspas?} E continuou. “Como vão lembrar de mim? O que vão dizer? Vão dizer assim: 'bem... ele trabalhou, fez um curso...' E daí?” Fiquei tristefeliz, se é que posso dizê-lo assim. Já vi algo do tipo “tristemente feliz” e me parece que já devem ter dito/escrito feliz tristeza, ou vice-versa. Já sei quão doloroso é pensar na finitude. Sou feliz por ter consciência de que essa é uma das possibilidades. Nasci pelado, careca e sem dentes. O que vier é lucro. Se bem que também não estou disposto a tudo, a não ser aprender até o último segundo. Ser uma passagem não significa que é um passeio. Levo na bagagem todo o aprendizado e se for útil, ótimo! E se for tudo um acidente cósmico, aquela explosão, massa amorfa e quente, resfrio, espirro, bactéria, barata, dinossauro, macaco, homo sapiens... Terá valido o prazer de aprender. Sempre!
Havia dedos no poemacommoldes de fadas, perfume de flores, natureza de borboletas. Desconhecidoser solfejava uma canção de ninar. Noitechega, lua vem, lumeverde, fresco, piscando. Cheiros dos diversosmistérios impregnavam minhamente. Sentei sobretudoaquilo e parei de escreversobre. A históriaeralevadasemprecisar de escritor.Via a energia de ummenino e de uma menina. Espíritos? Reflexos? Sombras? Dançavam feitoluzes coloridas sobre o véu da noite. Deram roupas de arco-írispara a lua. Adormeci. Umlivro se fez.
Golondrina encantadora hace tiempo que no canta hace tiempo que no baila que no vemos su volar
Te extrañamos, Golondrina hace tiempo que no llueve hace tiempo preguntamos Golondrina, cuándo vuelves?
Zé Maurício Rocha
Volverán las oscuras golondrinas
Volverán las oscuras golondrinas en tu balcón sus nidos a colgar, y, otra vez, con el ala a sus cristales jugando llamarán; pero aquéllas que el vuelo refrenaban 5 tu hermosura y mi dicha al contemplar, aquéllas que aprendieron nuestros nombres... ésas... ¡no volverán!
Volverán las tupidas madreselvas de tu jardín las tapias a escalar, 10 y otra vez a la tarde, aun más hermosas, sus flores se abrirán; pero aquéllas, cuajadas de rocío, cuyas gotas mirábamos temblar y caer, como lágrimas del día... 15 ésas... ¡no volverán!
Volverán del amor en tus oídos las palabras ardientes a sonar; tu corazón, de su profundo sueño tal vez despertará; 20 pero mudo y absorto y de rodillas, como se adora a Dios ante su altar, como yo te he querido..., desengáñate: ¡así no te querrán!
Partiu em busca daqueles olhos, Serenos? A visão sempre se abria sobre as questões de querer, poder, Noite, somos como a noite! Assim o texto se iniciava, estrelas derramadas, linguagem de um sentimento, A lua ainda não contou.
Respostas vinham com as luzes artificiais enquanto poemas e verdades cobriam a madrugada com novos versos. Calçadas se contentavam com pés batendo as letras do ritmo sem sentido, Seus olhos. A cidade os perdeu enquanto respiravam seus corpos, almas em sede saltos dos muros, saliva picha, Acho que te amo!
Alguns passos cantaram por mais alguns minutos. Ele exclamou uma última frase. Depois disso nunca mais ninguém os reconheceu.