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| 30.11.07 |
colula CANASTRA CLARKIANA
Desencanto
Eu faço versos como quem chora De desalento... de desencanto... Fecha o meu livro, se por agora Não tens motivo nenhum de pranto.
Meu verso é sangue. Volúpia ardente... Tristeza esparsa... remorso vão... Dói-me nas veias. Amargo e quente, Cai, gota a gota, do coração.
E nestes versos de angústia rouca Assim dos lábios a vida corre, Deixando um acre sabor na boca.
-Eu faço versos como quem morre.
Manuel Bandeira
(Faz dias que estou sem o que e como escrever.
Acabo por pegar emprestado aos poetas
amigos aquilo que hoje gostaria de dizer).
bia_clark
Escrito por Banga às 14h47
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| 29.11.07 |
coluna MEDÉIA QUER CACHAÇA

Boris Bilinsky, City Art work for Metropolis c.1926-7
argonauta
não há mais
tempo
- e bem que podia
ser
você
reconstruindo o chão
de azul
de tudo
de teto e me cobre
Juliana Amato
Escrito por Banga às 10h56
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| 27.11.07 |
coluna VER-TE-BROWN
VOX POPULI
Quanto tempo faz mesmo? Doze dias? Sim, doze dias. Estava parado no ponto de ônibus manhã céu de chumbo e me perguntava o que me dizia toda aquela gente parada no ponto apertada nos coletivos prensada nas lotações.
Ontem um bêbado – ou seria um equilibrista? – exalou palavras de lucidez etílica desde aquele banco do fundo da lotação:
“Eu não sou o papa! Se eu fosse o papa Você acha que eu estaria sentado Numa cadeira de ouro? Por que que o papa não vende, Não pega aquela cadeira e diz ‘Tá aqui ó, vou vender essa cadeira de ouro Pra ajudar os irmãos lá do Ceará, Lá do Nordeste.’ E a África? ‘Ó, vamo vendê essa cadeira de ouro Pra ajudar o povo da África’ Mas ele faz isso?”
Desci da lotação com um alívio irritante.
Zé Maurício Rocha
Escrito por Banga às 11h18
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| 26.11.07 |
coluna LENÇOL DE MARGARIDAS
Cartas e AmoR
Teve um tempo em minha vida em que eu escrevia cartas para meus amigos. Eram cartas que enviava por e-mail ou que eu publicava em meu blog, mas que eram escritas com a mesma emoção das cartas com envelope e selo. Eu me sentia tão bem escrevendo para as pessoas que amo e não sei se me dava conta disso. Muitas vezes o distanciamento é que nos mostra essas coisas. Piegas? Lembrei Fernando Pessoa, Todas as cartas de amor são ridículas e fiquei mais tranqüila no meu ato de ser ridícula. Mas continuei a me perguntar, Depoimentos de amor são ridículos? Carinho é ridículo? Chamar o outro de meu amor, meu anjinho, benzinho, fofinho, minha flor é ridículo? Não acho, porém percebi que eu construí um certo medo de escrever das coisas que gosto e pessoas que amo. A escolha da palavra certa para atingir a originalidade muitas vezes me faz correr da simplicidade e perco com isso em emoção. Eu lembrei que escrevia com mais naturalidade no tempo das cartas.
Por isso mesmo, ontem, após conversa com um grupo de amigos, eu resolvi escrever uma carta para todos eles e a nomeei de sobre Varais, Lembranças, Estradas e Estrelas. Ela começa assim:
Tirei alguns instantes para respirar e o ar Amor levou-me a um lugar onde mãos e abraços constroem sentidos.
As palavras se lançaram sobre a tela como se eu não mais estivesse ali. Existia uma magia no meu respirar como se o ato de “inspirar e expirar” fosse simplesmente um sentimento... Amor. Lembrei do rosto de cada um dos meus amigos, de tudo que temos passado juntos, das dores e dificuldades, das conquistas e vitórias. Lembrei de pequenos ou grandes problemas de vida e do quanto estamos juntos. Juntos. É isso que deixa tudo mais bonito e simples.
Escrevi a carta e vou enviar para cada um deles no próximo mês. Dezembro é meu mês de renovar esperanças, de olhar Jesus Menino, de me encantar com pequenas coisas. Coisas que eu devia fazer com alegria todos os dias e sem medo de ser ridícula. Ou feliz?
Escrito por Banga às 12h33
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| 25.11.07 |
“Quero que tudo saia como som de TIM MAIA”

Lábios de Mel
Deixe que eu sinta teu corpo Que eu beije teu corpo Teus lábios de mel Deixe que eu te abrace agora Que a noite lá fora ficou pra depois
Venha ser a companheira esperada Corpos juntos, mãos dadas Preciso de você E sinta lá de dentro a vontade Meu olhar é verdade, eu quero só você
Deixa, deixaaa, uu uu De, deixa.....a, aa aa
Deixe que eu te abrace Te embale o sono Teu corpo no meu Deixe que eu te desperte Sussurre baixinho teu nome Pra depois dormir
Venha ser a amada amante te desejo Quero me perder nos teus beijos Quero hoje te amar Venha ser a companheira esperada Corpos juntos, mãos dadas, preciso de você
Deixa, deixaaa, uu uu De, deixa.....a, aa aa
A fim de voltar
A fim de voltar -mas eu tenho um certo receio A fim de voltar -E não sei se devo ou posso A fim de voltar -E não deixe de ir agora A fim de voltar Mas você que foi embora
Quero me ajudar e quero te ajudar Desse jeito não vai dar, não vai, não vai Não tem jeito de ficar, ficar, ficar satisfeito numa legal se você não me ajudar agora
Quero se legal não quero o seu mal E seria bem melhor, melhor, melhor Se você ficasse apar, apar, apar ai tudo Sensacional uma alegria visual
Sei que bem mereço, embora o seu preço Seja duro pra pagar, pagar, pagar Porisso venho de vagar,vagar,vagar Muito embora o que lamento É não ver você aqui agora
Quero,quero,quero,quero,quero,quero... A fim de Voltar Estou a fim de voltar
“Sem grilos de mim!!!!!”
Tim Maia!!!
Vânia Ramos
Escrito por Banga às 12h25
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| 23.11.07 |
coluna CANASTRA CLARKIANA
A bela de Amherst
Emily Dickinson
Ela varre com vassouras multicores
E sai espalhando fiapos,
Ó Dona arrumadeira do crepúsculo,
Volta atrás e espana os lagos:
Deixaste cair novelo de púrpura,
E acolá um fio de âmbar,
Agora, vejam, alastras todo o leste
Com estes trapos de esmeralda!
Inda a brandir vassouras coloridas,
Inda a esvoaçar aventais,
Até que as piaçabas viram estrelas —
E eu me vou, não olho mais.
Tradução: Aíla de Oliveira Gomes
She sweeps with many-colored Brooms —
And leaves the Shreds behind —
Oh Housewife in the Evening West —
Come back, and dust the Pond!
You dropped a Purple Ravelling in —
You dropped an Amber thread —
And how you've littered all the East
With duds of Emerald!
And still, she plies her spotted Brooms,
And still the Aprons fly,
Till Brooms fade softly into stars —
And then I come away —
---- • ----
Dica de livro para este final de ano: 
Não tenho como explicar, só lendo mesmo para saber.
bia_clark
Escrito por Banga às 13h34
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| 22.11.07 |
coluna MEDÉIA QUER CACHAÇA
então eu conheci esse texto, de uma das escritoras mais fantásticas do mundo mundo vasto mundo. quero dividir com os leitores. e explico que ela foi escrita para o jornal 'correio popular', de Campinas em 1993. boa leitura.
* TÔ SÓ
Vamo brincá de ficá bestando e fazê um cafuné no outro e sonhá que a gente enricô e fomos todos morar nos Alpes Suíços e tamo lá só enchendo a cara e só zoiando? Vamo brincá que o Brasil deu certo e que todo mundo tá mijando a céu aberto, num festival de povão e dotô? Vamo brincá que a peste passô, que o HIV foi bombardeado com beagacês, e que tá todo mundo de novo namorando? Vamo brincá de morrê, porque a gente não morre mais e tamo sentindo saudade até de adoecê? E há escola e comida pra todos e há dentes na boca das gentes e dentes a mais, até nos pentes? E que os humanos não comem mais os animais, e há leões lambendo os pés dos bebês e leoas babás? E que a alma é de uma terceira matéria, uma quântica quimera, e alguém lá no céu descobriu que a gente não vai mais pro beleléu? E que não há mais carros, só asas e barcos, e que a poesia viceja e grassa como grama (como diz o abade), e é porreta ser poeta no Planeta? Vamo brincá
de teta
de azul
de berimbau
de doutora em letras?
E de luar? Que é aquilo de vestir um véu todo irisado e rodar, rodar...
Vamo brincá de pinel? Que é isso de ficá loco e cortá a garganta dos otro?
Vamo brincá de ninho? E de poesia de amor?
nave
ave
moinho
e tudo mais serei
para que seja leve
meu passo
em vosso caminho.*
Vamo brincá de autista? Que é isso de se fechá no mundão de gente e nunca mais ser cronista? Bom-dia, leitor. Tô brincando de ilha.
HILDA HILST
(* trovas de muito amor para um amado senhor - SP: Anhambi, 1959.)
Juliana Amato
Escrito por Banga às 15h49
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| 20.11.07 |
coluna VER-TE-BROWN
E a flor que desabrochou
foi a fina flor do amor
ou foi flor de obsessão?
A Santa Casa de Praia Grande, na Baixada Santista, confirmou a morte da jovem Evellyn Ferreira Amorim, de 18 anos. Ela morreu após ter sido baleada na cabeça pelo ex-namorado Gilmar Leandro da Silva Filho, de 23 anos, que a manteve refém por quase 12 horas. Silva Filho continua em estado gravíssimo. Ele tentou se matar com um tiro na cabeça após acertar a ex-namorada."
Gilmar também morreu.
Foram sepultados hoje.
Que descansem...
ZÉ MAURÍCIO ROCHA
Escrito por Banga às 22h12
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| 18.11.07 |
coluna LENÇOL DE MARGARIDAS
4 Marias
Subiu as escadas logo após trancar a porta da sala. Deixou o resto da bagunça para o outro dia, Francisca daria conta de tudo mesmo. Paulo findava um último gole recostado á poltrona da biblioteca. Estava ele bem melhor agasalhado. Maria insistia em pintar novos tons lavando de seu rosto qualquer cor que encobria seus sinais. Estavam encharcados de tanta verdade e vida que a faziam ainda mais bela. Maria. Ela se olhava nas três faces da penteadeira. Perfis de Marias e vontades. Três. Tirou cada grampo do penteado olhando cada lado da mesma imagem, além das sombras castanhas de cada uma das mechas. Escovou, escovou, escovou refletindo o brilho de uma face a outra, sem pressa em seu cansaço.
Paulo permanecera ali, adormecendo entre seus amores que contavam inúmeras histórias de guerra, amor e terror, além dos cantos dos pensadores, como hipnose das sereias que o sugavam entre as estantes. Era toda noite seu sonho, adormecer como um daqueles livros a ser depositado na estante, ao lado de tantos outros. Queria se alegrar quando alguém entrasse curioso pela porta da biblioteca, e ao andar ansioso e leve ao mesmo tempo, receber olhares reflexivos. Um sonho-real de ser livro.
Maria, já vestida para dormir, desceu as escadarias de mármore, apagou as últimas lâmpadas da sala que restaram acesas. Paulo não subiria novamente. Mesmo assim, jogou sobre o marido uma manta xadrez, cuidado de Maria, todos os dias. Arrastou-se novamente pela escadaria. No último degrau da escada ainda olhou para baixo procurando um flash-olhar contando uma nova história. Uma figura sombria que sobrava pela casa. Entrou em seu quarto e sentou-se na poltrona perto da janela. A lua estava escondida enquanto as três marias cochichavam um novo sonho. Um movimento, uma saudade, um alento. Ou uma feroz verdade que registrava em um diário.
Já no fim da madrugada, largou em seu diário suas últimas palavras mudas. Abriu as janelas e ecoou um salto ao mergulhar no vento. Ascendeu como uma nova estrela. E findou seus dias como mais um livro perdido entre tantos outros que Paulo teimava em esconder.
Maria Cláudia Mesquita
Escrito por Banga às 23h43
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CEUMAR

Essa mineira de voz linda é uma das melhores intérpretes da MPB da atualidade. Ao lado de Alice Ruiz, também compôs várias músicas.
Conheci o trabalho da Ceumar, há alguns anos, na casa de um colega. Ouvindo um CD e outro, começou a tocar uma música, da década de 70, do grupo de rock Renaissence, chamada Let it Grow. Eu sempre adorei essa música e percebi que o arranjo estava diferente e a voz da cantora também.
Era a Ceumar. E, precisa-se propriedade para cantar essa música.
Nasceu em família de músicos e estudou violão clássico em Belo Horizonte. Aliás, ela é uma excelente violonista. Dá um toque original nos arranjos das músicas. Veio morar em São Paulo em 1995 e nessa época estreitou relacionamento com Zeca Baleiro. Daí surgiu o primeiro CD Dindinha no começo de 2000.
Logo depois, foi convidada para fazer diversos shows em Portugal e na China.
O segundo CD, saiu em 2003, chamado Sempre Viva. Mais recentemente, lançou o CD Achou e Recycle vol 1.
A Ceumar também tem aquela característica boa que admiro: cantar docemente, sem gritos e gemidos, onde o menos é mais. É isso que faz a diferença.
Parabéns Ceumar!
Vânia Ramos
Escrito por Banga às 15h03
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| 16.11.07 |
coluna CANASTRA CLARKIANA
(sem título)
Chuva que cai só para demonstrar a transparência das coisas...
Para que os choros das nuvens sejam, leves e breves,
Como seus cabelos, seus pensamentos, seus dedos...
E para que eu possa beber dessas calçadas
As palavras descalças
Que desentristecem o céu amargo
Das línguas enferrujadas.
bia_clark
Escrito por Banga às 14h26
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| 15.11.07 |
coluna MEDÉIA QUER CACHAÇA

tem uma força
tem uma força
puxando para
baixo
e insiste
e cada se
gundo
mais
lá vai
fuuundo
tudo
o que há
na cabeça:
estranhos,
vamos
virando
nós
Juliana Amato
Escrito por Banga às 10h09
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| 14.11.07 |
coluna SEM INOCÊNCIA
Novembro é outro. Na esperança de sê-lo, coincidentemente aqui na folha em que escrevo é 1º de maio. E as energias vitais rondam por aí, no trabalho, na labuta da lapidação diária, nessa estranha força de querer. Menos abstrata ou genérica, então, agora repousarei minhas armas inúteis. Vou me harmonizar com a natureza, confiar na semeadura, plantar as idéias, os ideais, em solo terreno. Tudo bem, deixa as quedas na memória sem mágoa.
Adelante, cariño, porque cambia, todo cambia (...). Na segunda noite, a atmosfera noturna cambia. Hay pájaros, periquitos e outros, um rádio distante, o amanhecer refletido na parede azul de uma nova janela. Daqui se reconhecem sons, quisemos, queríamos fugir do ruído e cá estamos. Escuta-se, escutamos. Escuto teu sono desmaiado sobre a cama, imagino a entrega, amo.
Rendo-me, chega de lutas inglórias, indóceis. Basta. Amo-te na pele e na fantasia, confesso o arrepio que me causas. Teus olhos pequenos de cílios desenhados que me atingem fulminantes e aos poucos. Feito a vela aqui defronte, à vela, em navegação. Crisântemos pedem água e tua boca me chama. Começa por aí, no beijar, o intuitivo, o tátil, a oralidade sem alfabeto. O calor preciso na medida do indizível.
Amo simplesmente como desconheço. Nunca antes e sem depois de você. O sino, um anúncio. Anuncio que não mais atiro e, sim, entrego, sem mais fugas, fico contigo.
Palena Duran
Escrito por Banga às 13h27
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| 13.11.07 |
coluna VER-TE-BROWN
SABIDURÍA ALHEIA Macaco velho não se balança em galho seco.
Zé das Couves
A PAIXÃO SEGUNDO A LETRA H Hemoptise. sf. Med. Expectoração sanguínea ou sanguinolenta. Hidrato. sm. Quím. Composto que contém uma ou mais moléculas de água.
Zé das Beberage
SINCERITE AGUDA
Veja bem...
Não é que eu seja anti-social. Eu até gosto das pessoas!
É que às vezes elas me deixam cansado.
Não é ódio nem revolta.
É cansaço.
Zé Ninguém
Escrito por Banga às 11h47
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SEM TÍTULO?
A terra não parou de girar, o vento não deixou de soprar. Tinha apenas deixado de fazer parte da paisagem. O vento nas folhas, em vão – bem como Ben Harper e Vanessa da Mata naquela canção. Cada gota da quase garoa que marcava o pára-brisa era uma estrela surgindo na imensidão azul. Não havia silêncio nem escuridão. Havia um céu nublado e a voz de Ângela Rorô. Não serei papai-noel no próximo natal. Nem sei se estarei lá, se viverei para contar. Um cachorro mija no pneu do carro, caga na calçada e vai embora. Não tem RG, CPF, certificado de reservista. Não tem cartão de crédito estourado nem saldo negativo além do limite do cheque especial. Se fosse mesmo especial daria tanta dor de cabeça? Lembrei do Drummond. Pretensioso demais. Demasiado. A propaganda no rádio anuncia: você pode ser o que quiser. Um homem de guarda-chuva, outro com as mãos pensas, menina com capa de chuva, casal de motocicleta. Os faróis não iluminam o futuro. A filosofia não desata nós. O momento mais brilhante ficou pra trás feito fogo-fátuo. Tudo vale a pena para o pescador de ilusões. “Brindo a casa, brindo a vida, meus amores, minha família.”
Não dá pra desistir, né?
E não é porque navegar seja preciso. A maré nem tá pra peixe... E o Mengão venceu o Santos!!!
É que boto fé nesse mar de gente Que pula da cama de madrugada Em pleno horário de verão num puta dia feio, Céu nublado garoando.
É que boto fé no mar de gente Que lota o estádio do Maracanã Pra fazer festa pro time do coração.
É porque (puta que pariu! – só falando um palavrão mesmo...) ainda que tudo pareça uma bosta eu ainda acredito no ser humano.
Zé Maurício Rocha
Escrito por Banga às 11h46
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| 12.11.07 |
segunda-feira
VISITEM
http://www.sodezporcentoementira.com.br/
b i a _ c l a r k
Escrito por Banga às 19h39
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| 10.11.07 |
coluna LENÇOL DE MARGARIDAS
Sonhos e Rosas
Desejava fazer correr dos dedos a letra pura que não maltrata os sentidos. Fazer dessa busca verdade de vida lhe dava força ainda que o labirinto que se escondia por dentro se encontrasse coberto de folhas secas dos descaminhos, desvios, desavisos. O mesmo e antigo pensamento não a deixava escapar mostrando a medida certa de equilíbrio. Andou tanto e não achou nada diferente do próprio contorno do círculo. Umbigo? De querer ser tão grande queimou as etapas e mostrou o quanto ainda se vestia de vaidade. Sentiu as dores mas não desanimou. Fechou a porta olhou bem fundo e assistiu o brilho de uma pequenina estrela. Abriu a janela e pediu ao céu, que depois da calma e enigmática noite, a harmonia das manhãs de domingo se fizesse presente. Tocaria a paz no instante exato em que conhecesse que pensar na vida é viver e remorso não pode cobrir suas noites. Velou uma estrela cadente ao ensaiar um pedido. Desejou fazer correr dos olhos todo perdão que ainda não sabia se existia em algum lugar. Adormeceu. Teve sonhos que nunca poderia imaginar ou mesmo se lembrar. Mesmo assim saiu de casa descalça em direção do parque. Crianças faziam cantar as rodas das bicicletas, as mães exibiam seus bebês ao sol, pessoas corriam procurando saúde, namorados procuravam olhares só deles. Sentou-se embaixo de uma das árvores e contemplou tudo isso. Uma senhora lhe entregou duas rosas sem dizer uma palavra. Não precisava. Colocou naquele verde todos os seus cansaços lembrando de todos que a ajudaram chegar até ali. Depois de algumas horas se levantou. Pegou uma das rosas e entregou para um senhor que estava passando. Ele sorriu, soprou e as pétalas voaram como pássaros. Leves e tranqüilos.
Maria Cláudia Mesquita (Bia, obrigada por suas estrelas e roseiras!)
Escrito por Banga às 23h49
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Nos últimos tempos, tenho ouvido com muito carinho, o som da CéU: voz calma, sotaque paulistano e bom gosto. Na minha opinião, a CéU é a melhor revelação da música popular brasileira da atualidade.
Admiro muito seu jeito calmo e confortável de cantar, bem diferente de tudo que tenho ouvido ultimamente, onde o grito e o agudo predominam, poluindo muito as melodias. CéU segue ao contrário disso.
Foi colocada entre as Top 200 da Billboard, posição anteriormente só conquistada por Astrud Gilberto, com Garota de Ipanema, no início da década de 60.
Com sucesso prematuro, (considerando que lançou seu primeiro CD em 2005 e tem apenas 26 anos) a CéU já carrega uma infinidade de fãs no Brasil e no mundo. Vejam o comentário do Le Monde de la Musique de 2005:
“Leve como uma flor, a linda brasileira CéU realiza com seu primeiro CD uma impressionante rota sonora entre São Paulo, New York e Paris."
E tem mais, a CéU além de ótima intérprete, é também uma excelente compositora.
Particularmente, gosto de todas as canções do primeiro CD, entitulado CéU:
1- Vinheta Quebrante
2- Lenda
3- Malemolência
4- Roda
5- Rainha
6- 10 Contados
7- Vinheta Dorival
8- Mais um lamento (Linda, maravilhosa!!!!!!)
9- Concrete Jungle
10-Véu da Noite
11-Valsa pra Biu Roque
12-Ave Cruz
13-O Ronco da Cuíca
14-Bobagem
15-Samba na Sola
Beijo CéU
Vânia Ramos
Escrito por Banga às 17h37
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| 09.11.07 |
coluna CANASTRA CLARKIANA
as largadas as palavras as que voam
subterfúgios e veias algo que rasga ou esconde nada de prazer para hoje esfera algodão
rompimento e gota d'agua nem santa nem puta nada para sentir agora cânfora mata borrão
vento forte e maré alta sem tumulto por favor! nada pode morrer lá fora frio frio frio
.
.
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bia_clark (só quero as estrelas e as roseiras - minhas irmãs de poesia)
Escrito por Banga às 09h21
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| 07.11.07 |
coluna MEDÉIA QUER CACHAÇA
‘Oh, abre os vidros de loção
e abafa
o insuportável mau cheiro da memória.’ Carlos Drummond de Andrade
como se estivesse e não bastasse: palavras não duram mais que noites
era como se quisesse assim atento cutucar rastros de dentro
como pesasse impermitível em tudo o que pudesse ser abalável
era como se proibisse velando todo o antes fiel e preso, e não, e imóvel e atento
...
talvez, do desacordo possa nascer, leve, qualquer coisa além da memória
Juliana Amato
Escrito por Banga às 23h23
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coluna SEM INOCÊNCIA
Nem me dei conta de que novembro é. Tarde da noite para qualquer criação, nessa hora todos dormem por dentro, não há mais o que possa caber depois de tanto que ocorre. E corre vento, tempestade, chuva, medo, ah. Queria ter dito que hoje não estou, aliás, tinha planejado não estar, porém. O inevitável, essa doida que corre, oh. Não é diário, nem lamentação; tenho mantido os olhos atentos e lá estão as forças significantes, neles. Quantos escombros há que se atravessar para chegar em casa? Converso com sonhos e ímpetos nas horas erradas, assim, então exaspero, no fim o que resta é essa enorme solidão do silêncio eloqüente, tanto move quanto puxa os pés. Brigo com o mundo e com pessoas, sempre as mais amadas, e não me encontro no conflito, busco desesperadamente uma solução, mas acontece. Desculpa minha inabilidade com a vida, com o tempo. O tempo. Ainda o agarro pelos cabelos. Será uma questão de química? Dá-me uma solução, ó.
Pra compensar minha falta de destreza, esse turbilhão de desencontros n’alma, sabe lá, tão profundo quanto o barulho do metrô sendo construído debaixo da terra, esse rrúúúú... intenso, extenso. Quarta também é dia de feira, pertinho da rua Beatriz, e o problema é que lá pelas 13h30 eles já começam a encaixotar os produtos porque os fiscais da prefeitura vêm multá-los se não terminarem no horário Y. Então nem parece que a feira está terminando e os feirantes precisam voltar para casa, coisa e tal, natural, parece mais um bando de fugitivos, guardando seus pertences o mais rápido possível pra não tomarem uma multa. Multa, medo, multa, medo.
Ronda o medo. Medo de gente, medo do amanhã, medo do depois, medo do vazio, medo da traição, medo de amar incondicionalmente, medo da insegurança (ou os dois de mãos dadas), medo de não conseguir alcançar. Os sonhos, sobre os sonhos paira um bruta medo.
Mas tudo isto não tem nenhuma lapidação, não é nada, apenas nada, afinal hoje não estive, demorei, faltei, ando ocupada com. E demais. E gutural. E. Ocorre que, embora tarde, tenho crisântemos da feira burocrática, amarelos, brancos, esperançosos. Mas eles foram esquecidos numa marcenaria aí.
P.
Escrito por Banga às 20h48
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| 06.11.07 |
coluna VER-TE-BROWN
FORMAÇÃO DE QUADRILHA
Paula queria ter um filho com André.
Suspendeu a pílula.
Terão quadrigêmeos em janeiro.
Paula ainda não sabe
o que serão quando crescerem,
além de brasileiros.
Paula teve pai libanês
e mãe brasileira
com ascendência italiana.
André não queria transmitir
a nenhuma criatura
o legado de sua miséria.
André teve pais nordestinos,
prováveis frutos da mistura
entre portugueses e índios.
André sabe que, se vingarem,
suas crianças terão cinco anos em 2014,
mas não tem certeza se elas estarão
nos faróis ou nas arquibancadas.
ZÉ MAURÍCIO ROCHA
Escrito por Banga às 09h09
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| 04.11.07 |
coluna LENÇOL DE MARGARIDAS
pesadelos
notas da noite
meio-dia
meio açoite
gestos incertos gestando incestuosos versos
carne carne carne
PROCURA-SE UM POEMA!
um qualquer, qualquer um
poemalma
penada!
meio prosa, nem poema, meio nada
Maria Cláudia Mesquita
Escrito por Banga às 13h46
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| 03.11.07 |
coluna MÚSICA AO PÉ DA LETRA
Outras Palavras

Caetano
Segue aqui a seqüência de músicas mais geniais que conheço:
1- Outras Palavras
Nada dessa cica de palavra triste em mim na boca Travo, trava mãe e papai, alma buena, dicha louca Neca desse sono de nunca jamais nem never more Sim, dizer que sim pra Cilu, pra Dedé, pra Dadi e Dó Crista do desejo o destino deslinda-se em beleza: Outras palavras Tudo seu azul, tudo céu, tudo azul e furta-cor Tudo meu amor, tudo mel, tudo amor e ouro e sol Na televisão, na palavra, no átimo, no chão Quero essa mulher solamente pra mim, mais, muito mais Rima, pra que faz tanto, mas tudo dor, amor e gozo: Outras palavras Nem vem que não tem, vem que tem coração, tamanho trem Como na palavra, palavra, a palavra estou em mim E fora de mim Quando você parece que não dá Você diz que diz em silêncio o que eu não desejo ouvir Tem me feito muito infeliz mas agora minha filha: Outras palavras Quase João, Gil, Ben, muito bem mas barroco como eu Cérebro, máquina, palavras, sentidos, corações Hiperestesia, Buarque, voilá, tu sais de cor Tinjo-me romântico mas sou vadio computador Só que sofri tanto que grita porém daqui pra a frente: Outras palavras Parafins, gatins, alphaluz, sexonhei da guerrapaz Ouraxé, palávoras, driz, okê, cris, espacial Projeitinho, imanso, ciumortevida, vivavid Lambetelho, frúturo, orgasmaravalha-me Logun Homenina nel paraís de felicidadania: Outras palavras
2- Gema
3- Vera Gata
4- Lua e Estrela
5- Sim/Não
6- Nu com a minha música
7- Rapte-me camaleoa
8- Dans mon ile
9- Tem que ser você
10- Blues
11- Verdura
12- Quero um baby seu
13- Jeito de Corpo
Vânia Ramos
Escrito por Banga às 14h45
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coluna CANASTRA CLARKIANA
Ser Poeta
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